Sem limites para perdoar! 24º domingo ano “A”

Sem limites para perdoar! 24º domingo ano “A”

Eis uma questão deveras interessante: até onde perdoar? Ou qual o limite para perdoar aos que nos ofendem e magoam?

O Evangelho segundo Mateus diversas vezes afirma que “não são os que dizem Senhor, Senhor que entram no Reino dos céus, mas os que colocam em prática a Palavra do Senhor”! E colocar o Evangelho em prática é viver de forma distinta do que comumente se vive; é viver “acima da média”, além da mediocridade; é ser semelhantes a Deus, é praticar o amor-compaixão tão necessário hoje em dia.

Ira e rancor, vingança e raiva são venenos mais mortais que o covid! Ira, rancor, vingança e ressentimento se alimentam em corações nos quais o amor perdeu espaço; ira e rancor se disfarçam muito bem e até chegam a enganar com aquele discurso dos “fazedores de justiça”, ou daquela “indignação coletiva” que, ao invés de atacar o mal em sua raiz, ao invés de ajudar os irmãos a se livrarem do mal e da violência, preferem punir antes de corrigir, querem uma sociedade “asséptica” que não reflete o pensamento de Jesus que primeiro perdoa para corrigir em seguida, perdoa primeiro para dar oportunidade de arrependimento a quem errou. A comunidade cristã é lugar de amor, não de julgamentos, é lugar de perdão e não de competição e guerrilhas. O ressentimento alimenta mágoas e disfarça o rancor e o ódio.

A parábola do Evangelho deste domingo nos deixa ver que todos os personagens ali narrados, sem exceção, ficam ressentidos com a atitude do empregado perdoado que não perdoou seu companheiro. Ninguém perdoou! Nosso senso de “justiça” parece aplaudir quando o patrão indignado manda o servo cruel para a prisão!

O que seria de nós sem o perdão? O que seria dos casais, das famílias, das comunidades, das amizades sem o perdão? O que seria de nós se Deus não nos perdoasse? Ira, ressentimento e vingança não fazem parte dos sentimentos cristãos. A meu ver, a única violência aceita é aquela contra o nosso instinto, quando não reagimos à provocação evitando ressentimento e rancor.

Viver para o Senhor é praticar o que Ele ensinou principalmente no que se refere ao perdão e à reconciliação. E qual é o limite para perdoar os outros, nossos irmãos? A parábola que Jesus nos conta responde com intensidade e nos convida a nos situar: com quem nos identificamos nesta parábola?

Para Jesus, o perdão das ofensas não deveria parecer tão custoso, mas algo natural, próprio do coração de quem ama. Precisamos ser justos, não justiceiros! A Vacina contra a vingança é o perdão.

“O que queremos que os outros nos façam a nós, precisamos fazer aos outros”, pois o amor sempre se antecipa e ama sem esperar algo em troca.

“Queres ser feliz no momento? Vinga-te! Queres ser feliz sempre? Perdoa”! (Henri Laccordaire).

Pe. João Paulo Ferreira Ielo

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