São Pedro e São Paulo – 2020

São Pedro e São Paulo – 2020

O martírio de São Pedro e São Paulo nos convida a celebrar a Igreja que ao longo dos tempos sofre por anunciar o Evangelho. Pedro e Paulo, as colunas da Igreja nos levam a perceber que ao professarmos a fé também precisamos vivê-la, tornarmo-nos discípulos autênticos de Cristo. A fé, quando não assumida faz de nós “cães mudos” que não alertam  quando os lobos inimigos atacam.O martírio em nossos dias acontece quando perseveramos nos ensinamentos do Evangelho, mormente na prática sincera e dedicada da caridade e no empenho em favor da justiça e da verdade como a Igreja nos transmite qual tesouro que recebeu dos apóstolos. Viver a unidade respeitando a sadia diversidade é a grande missão da Igreja e garantir nossa unidade é o fardo, a tarefa do Papa, sucessor do apóstolo Pedro. A unidade para a qual somos chamados exige conversão, caridade, respeito com os que pensam diferente, acolhida com os que chegam, carinho com as crianças,respeito e admiração pela experiência dos anciãos e anciãs e suas via crúcis. A unidade da Igreja não tem a rigidez das ditaduras e das ideologias intolerantes que preferem a uniformidade e rejeitam pensamentos discordantes por lhes faltar a prática do diálogo fraterno.A prisão de Pedro e sua miraculosa libertação nos revela uma Igreja sempre solidária na dor e nos sofrimentos de seus filhos, pois “quando um sofre, todos sofrem”; a Igreja sempre se une ao sofrimento dos mártires que entregam a vida por causa do Evangelho. A Igreja cresce principalmente quando sofre perseguições por causa do anúncio de Cristo, a Palavra do Pai que ninguém aprisiona e a oração dos que sofrem sempre alcança o coração de Deus, como fez a comunidade reunida sofrendo e rezando por Pedro na prisão.Paulo escreve a Timóteo o seu testamento, seu bilhete de despedida. Pressentido a proximidade da morte, Paulo parece se preparar para a grande festa da sua vida. Faz um balanço de sua vida comparando-se a um atleta aplicado. “Estou pronto para ser oferecido em sacrifício”. “Combati o bom combate, terminei minha carreira e guardei a fé”. “O Senhor esteve ao meu lado e me deu forças” para que não me sentisse abandonado.O martírio, o testemunho, o sangue derramado não mata a fé, pelo contrário, tudo isso faz com que ela floresça mais bela e forte. Martírio e testemunho são consequência do amor por Jesus Cristo.“E vós, quem dizeis que eu sou”? Jesus não está preocupado com a sua popularidade, mas quer saber o que seus discípulos entendem a respeito d’Ele e de sua missão.O que o mundo, os outros dizem não é tão relevante. E insiste:-“e vós, quem dizeis que eu sou?” a resposta-profissão de fé de Pedro revela a sólida fé da Igreja que herdamos dos apóstolos! É Jesus o Cristo, o Filho de Deus! E Pedro, por sua fé, é a pedra sobre a qual o Senhor edifica a sua Igreja.Conhecer, saber, viver, amar e testemunhar Jesus Cristo é fundamental para a nossa identidade cristã católica. A Igreja que Jesus inicia com seus apóstolos não é a dona da verdade, entretanto recebeu de Jesus a missão de zelar e cuidar da Verdade por Ele comunicada a nós; deve também ensinar a sua Palavra e testemunhar seu Evangelho e apontar no mundo os sinais da presença do Reino de Deus.Unidos ao Papa celebramos anos a vocação cristã de ser “testemunhas do Evangelho” e, testemunhar Cristo não é repetir como papagaios respostas que outros disseram, mas com a vida demonstrar como ele vive em nós e como o mostramos ao mundo.“O sangue dos mártires é semente de novos cristãos” (Tertuliano).
Pe. João Paulo Ferreira Ielo

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